sábado, 20 de dezembro de 2014

TEMA III: OS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PARA EUROPA DO CONHECIMENTO

I-           Objectivos Estratégicos dos Sistemas de Educação e Formação na Europa do Conhecimento
Constam três objectivos estratégicos, subdivididos em treze objectivos conexos:

1-      Melhorar ou aumentar a qualidade e eficácia dos sistemas de educação e formação da EU

ü  Melhorar a educação e formação dos professores e formadores
ü   Desenvolver as competências necessárias à sociedade do conhecimento (que consistem nas seguintes áreas fundamentais: numeracia e literacia; competências essenciais em matemática, ciências naturais e tecnologia; línguas estrangeiras; competências em TIC) aprender a aprender; competências sociais; espírito de empreendimento e cultura geral).
ü  Assegurar o acesso de todos às tecnologias da informação e comunicação (TIC)
ü  Aumentar a participação nos estudos científicos e técnicos
ü  Optimizar a utilização dos recursos

2-      Facilitar o acesso a todos aos sistemas da educação e formação

ü  Desenvolver um ambiente aberto de aprendizagem
ü  Tornar a aprendizagem mais atrativa
ü  Apoiar a cidadania activa, a igualdade de oportunidades e coesão social

3-       Abrir ao mundo exterior os sistemas de educação e de formação

ü  Reforçar as ligações com o mundo do trabalho, a investigação e a sociedade
ü  Desenvolver o espirito empresarial
ü  Melhorar a aprendizagem de línguas estrangeiras
ü  Aumentar a mobilidade e os intercâmbios
ü  Reforçar a cooperação europeia  
Constata-se porem que de tudo o essencial corresponde sem dúvidas a formação de Professores e formadores e diversificação dos ambientes de aprendizagem.

II-                Competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida
As competências são definidas aqui como uma combinação de conhecimentos, aptidões e atitudes adequadas ao contexto.
As competências essências são aquelas que são necessárias a todas pessoas para a realização e o desenvolvimento pessoais, para exercerem uma cidadania activa, para inclusão social e para o emprego.
O quadro de referência estabelece oito competências essências:
ü  Comunicação na língua materna
ü  Comunicação e línguas estrangeiras  
ü  Competência matemática e competências básicas em ciências e tecnologia
ü  Competência digital
ü  Aprender a aprender
ü  Competências sociais e cívicas
ü  Espírito de iniciativa e espírito empresarial
ü  Sensibilidade e expressão culturais
As competências essenciais são igualmente são todas consideradas igualmente importantes, porque cada uma delas pode contribuir para uma vida bem sucedida na sociedade do conhecimento. Muitas destas competências sobrepõem-se e estão interligadas: aspectos que são essenciais num determinado domínio favorecem a competência noutro domínio. Possuir as competências básicas fundamentais da língua, da literacia, da numeracia e das tecnologias da informação e comunicação (TIC), é uma condição essencial para aprender, e aprender a aprender está na base de todas actividades de aprendizagem.

Referencias Bibliográficas
(1) RAMOS, C. (2005). Estratégia de Lisboa: Programa de Trabalho "Educação e Formação 2010" (apresentação em powerpoint).
(2) COMISSÃO EUROPEIA (2006). Competências essenciais para a Aprendizagem ao Longo da Vida - Quadro de Referência Europeu. Bruxelas: Direcção-Geral da Educação e da Cultura da Comissão Europeia.
(3) COMUNIDADES EUROPEIAS (2002). "Programa de trabalho pormenorizado sobre o seguimento dos objectivos dos sistemas de educação e de formação na Europa", in Jornal Oficial das Comunidades Europeias, pp. C 142/1-C 142/22. Bruxelas: Comissão das Comunidades Europeias.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Tema II- Modelos e Tendências Evolutivas nos Sistemas Educativos Europeus



  1. Modelos de organização de sistemas educativos Europeus

1.1. Sistemas educativos centralizados
Segundo Formosinho (1086) considera que a administração centralizada pode ser concentrada ou desconcentrada.
A centralização é um forte mecanismo de coordenação das decisões dentro das organizações (Mintzberg, 1995). Ela permite a quem toma decisão manter uma visão de conjunto do todo "sistema" organizacional.
  • Concentrados - quando o poder para tomar as decisões mais importantes em matéria de educação esta nas mãos dos serviços centrais do ministério de educação, cabendo aos restantes níveis da hierarquia a sua aplicação em conformidade com as orientações definidas por esses serviços. A ideia é assegurar uma certa uniformidade de funcionamento do sistema. No topo concebe-se, e na base executa-se.
  • Desconcentrados – quando há graus intermédios e inferiores, chefes com competências para decidir imediatamente, embora sujeito à direção e inspeção de superiores, que podem modificar as decisões por eles tomadas. E segundo Formosinho (1086), a desconcentração pode tomar varias formas; originária, por delegação de competências, fragmentada (Portugal) e coordenada (Angola).
1.2. Sistemas educativos descentralizados
A descentralização consiste na delegação de poderes a pessoas hierarquicamente dependentes, o que, em última instância,  implica o << o dever de obediência a ordens, a subordinação ao poder disciplinar, a possibilidade de revogação, modificação ou reforma do acto inferior pelo superior, a possibilidade de um genuíno recurso contra os actos do subalterno >> ( Gornay, 1978, p. 157).
2. Tipologias de sistema educativo
  • Tipo escandinavo
  • Tipo anglo-saxónico
  • Tipo Germânico
  • Tipo latino - mediterrânico
3. Traços dominantes e as tendências emergentes dos sistemas educativos europeus em resultado da sua evolução
Os sistemas educativos europeus variam entre os modelos centralizado e suas variantes e descentralizado. Significa, pois, no primeiro caso, que a decisão do poder se faz do vértice da pirâmide para a base, enquanto nas suas variantes desconcentradas o poder central é estendido “sem o transferir para outras instâncias, criando estruturas intermédias que aplicam as orientações” (Benedito, 2007:58) e no segundo caso, com a atribuição de personalidade jurídica, a uma transferência de competências de decisão e gestão política e administrativas autónomas, com plena assunção das responsabilidades. A Suécia, a Finlândia, a Dinamarca, o Reino Unido, a Bélgica e a Holanda constituem a minoria dos países da União Europeia que apresenta sistemas educativos em regimes descentralizados. Apesar da centralização, mais ou menos desconcentrada dos restantes países, a autonomia das escolas tem vindo a ser valorizada, como é o caso do nosso país, bem como a desburocratização, a identidade regional e a participação social, sem transferência do poder de decisão, mas conferindo um grau superior de responsabilização.
Pensa-se que para um sistema educativo responder adequadamente e de forma mais rápida às especificidades de um país o modelo organizativo de sistema educativo a adoptar, poderá ser o de um modelo “descentralizado”. Ginn  e Welsh (1999) apresentam três critérios de descentralização dos sistemas educativos: a legitimidade democrática (critério de ordem política), o profissionalismo (critério de ordem técnica) e a eficácia de mercado (critério de ordem económica). A este propósito são apontadas várias vantagens de descentralização que podem-se elencar:
  • Proporciona um aumento da eficácia organizacional;
  •  Evita fuga à responsabilidade, permite uma definição clara e precisa das responsabilidades;
  •  Evita a saturação informativa;
  • Permite melhorar a qualidade das decisões;
  • Permite a redução de papéis e gastos nos serviços centrais;
  • Aumenta a capacidade de resposta da organização;
  • Permite que sejam acrescentados detalhes à informação que entra no processo de decisão;
  • Contribui para a formação de funcionários mais responsáveis e conscientes dos seus resultados operacionais;
  • É uma boa base de aprendizagem organizacional.
     
4. O impacto das novas tecnologias e dos sistemas de aprendizagem em ambiente de blendedlearning ( B-Learning) nas sociedades em rede.
Existem várias definições para blended learning, mas a própria tradução implica aprendizagem combinada. Combinar vários elementos, combinação de estratégias, ferramentas, espaços, ambientes que concorram para aprendizagens significativas.
Gomes (2006) referindo-se à diversidade de utilização das TIC no ensino inúmera vários contextos, com objetivos e formas de exploração distintas.
Quase todos os professores já recorreram ao power-point para realizar uma apresentação ou recorreram à internet para retirar um recurso para a sua aula. Outra vertente de utilização prende-se com o recurso a documentos em suportes digitais, tais como DVD ou CD-ROMs.
As situações acima referidas, implicam um contexto de ensino presencial, onde o aluno em sala de aula interage com os meios disponíveis, incluindo também o quadro interativo e o projetor multimédia. Esta autora refere que a melhoria na acessibilidade à internet, o aparecimento das páginas Web e a expansão de serviços de comunicação em rede, como email, fóruns, entre
outros, expandiram a possibilidade de utilização das TIC em ambiente escolar, naquilo que designa “extensão virtual da sala de aula presencial”. Aqui encontram-se disponibilizados os sumários das aulas, documentos via electrónica, indicações de sites e links de interesse para o estudo das temáticas a serem estudadas na disciplina em questão.
Assim, as TIC e a internet surgiram como instrumentos que fomentam a relação entre todos os intervenientes. Contudo, a sua simples utilização como apenas mais uma ferramenta com recursos interessantes não provoca as mudanças desejáveis na forma de ensinar, pois a
simples introdução do computador nas escolas não vai provocar por si mudanças
efetivas (Alves, 2008). No fundo, o objetivo é que o professor introduza estes
meios e que os defina com fundamento, quer dizer, deve escolher de forma
adequada a tecnologia e justificar a sua utilidade para o tema a ser
trabalhado, a mais-valia do seu uso e como pode apoiar o processo de ensino (Dias, 2008).
Como refere Carneiro (2000), os professores e os alunos têm de assumir um papel mais activo na produção e divulgação dos conteúdos didácticos valorizando a sua acção pedagógica. Para este
autor, a introdução das TIC na educação valorizou a criatividade e a capacidade
de relacionar conhecimentos existentes com os que vão sendo construídos, o que
leva à desejável inovação e mudança no sistema educativo.
Referências bibliográficas
Benedito, N. (2007) Centralização de Sistemas Educativos e Autonomia dos Actores Organizacionais – Tese de doutoramento, Universidade do Minho
CARNEIRO, R. (1994). A evolução da Economia e do Emprego. Novos desafios para os Sistemas Educativos no dealbar do Século XXI. Disponível em http://www.cursoverao.pt/c_1995/RCar-01.html.
DELORS, J. et al. (1996). Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Porto: Edições Asa.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Mestrado em Supervisão Pedagógica (MSVP) - Sistemas Educativos :Organização e Avaliação.

Tema I- Mutações Sociais e Sistemas Educativos.

1-Conceito de sistema e do sistema educativo 

 Etimologicamente a palavra "sistema" vem do termo grego sustêma, que significa conjunto coerente. Segundo Jacques Lesourne " Um sistema é um conjunto de elementos ligado por um conjunto de relações." Segundo Rosney sistema é "um conjunto de elementos em interacção dinâmica, organizados em função de um fim." Sistema educativo é definido na nossa lei de bases como "conjunto de meios pelos quais se concretiza a educação e se desenvolve segundo um conjunto organizado de estruturas e de acções diversificadas" (n.º 2 e 3 do art.º 1º da Lei n.º46/86 de 14 de Outubro).

 2-Sociedade do conhecimento, sistema educativo e as inovações 

 No âmbito da educação/ sistemas educativos e sociedade do conhecimento:
 a)- a educação assente nas tecnologias e no conhecimento deve levar os indivíduos a perceber as mudanças constantes e as suas consequências;
b)- os saberes que hoje são transmitidos não servem para formar elites para se guiar uma nação, mas preparar os indivíduos capazes de desempenhar as suas funções nas diversas áreas, a aprendizagem ao longo da vida é agora mais valorizada;
c)-as competências essenciais definidas para a aprendizagem ao longo da vida combinam conhecimentos, aptidões, e atitudes e são necessárias à realização e desenvolvimento pessoal, à inclusão social, à cidadania activa e ao emprego, são elas: comunicação na língua materna e em línguas estrangeiras, competência matemática e competências básicas em ciências e tecnologia, competência digital, aprender a aprender, competências sociais e cívicas, espírito de iniciativa e espírito empresarial, sensibilidade e expressão culturais;
d)- as competências referidas permitem uma maior flexibilidade e adaptação às mudanças, por parte da população activa, sendo ainda um factor de inovação, produtividade e competitividade, contribuindo também para motivação e satisfação dos trabalhadores e para a qualidade do trabalho. Inovação hoje não é tanto a descoberta de algo novo mas “a capacidade de explorar sistematicamente os efeitos produzidos por novas combinações e utilizações de itens de stock existentes de conhecimento, cujo acesso está mais generalizado e facilitado do que nunca” (Soete, 2000: 14). Soete, Luc (2000). “A economia baseada no conhecimento num mundo globalizado”. In Maria João Rodrigues (org.). Para uma Europa da Inovação e do conhecimento – Emprego, Reformas Económicas e Coesão Social. Oeiras: Celta, pp. 3-31 Como é referido no artigo, “a inovação não é uma mudança qualquer. Ela tem um carácter intencional, afastando do seu campo as mudanças produzidas pela evolução "natural" do sistema. A inovação é, pois, uma mudança deliberada e conscientemente assumida, visando uma melhoria da ação educativa.” Desta forma a inovação não é uma simples reformulação, pois implica uma rutura com a situação anterior, mesmo que seja temporária e parcial. "Inovar faz trazer algo "novo", ao invés de renovar que implica fazer aparecer algo sob um novo aspeto, não modificando o essencial." O conceito de inovação surge amplamente distante do conceito de reforma. Deste modo, "o conceito de inovação é, pois, bastante mais rico e abrangente do que os conceitos de mudança, renovação ou de reforma, atrás mencionados. A inovação pedagógica traz algo de "novo", ou seja, algo ainda não estreado; é uma mudança, mas intencional e bem evidente; exige um esforço deliberado e conscientemente assumido; requer uma ação persistente; tenciona melhorar a prática educativa; o seu processo deve poder ser avaliado; e para se poder constituir e desenvolver, requer componentes integrados de pensamento e de ação (Cardoso, 1992)." Em suma, o conceito de inovação é urgente nos sistemas educativos e não deve cingir-se a uma simples ideia de mudança ou de reforma. Nos sistemas educativos o conceito de inovação deverá ser uma das medidas prioritárias, mas que exige profundas alterações e um romper com o ensino tradicional. Muitas vezes, os conceitos de modernidade e tradição são vistos como conceitos opostos. Contudo, é importante realçar que num processo inovador, a tradição e os elementos particulares aparecem como mais um componente. Este pensamento é defendido por Callon (2004), quando afirma que a inovação não destrói a tradição, pelo contrário se nutre da mesma. Ressalta que existem margens de manobra na competição económica, na produção dos conhecimentos científicos e na produção de inovações. Tais margens de manobra são capazes de preservar e até enriquecer a identidade das tradições. A inovação é sustentada por elementos como a criatividade, mas necessita de um suporte de conhecimento anterior, principalmente tácito, e de pesquisa científica. Esta última, irá funcionar como um catalisador, no sentido de ampliar horizontes e quebrar paradigmas estabelecidos. Ao admitirmos a criatividade como uma componente essencial durante o processo de inovação, Callon afirma que “a qualidade de inovação depende da qualidade das ideias e ideais que estão na origem da inovação”. Para o autor, o processo de inovação é progressivo. Na mesma linha de pensamento, Nonaka e Takeuchi (1997) afirmam que a inovação é recriar o mundo de acordo com uma perspetiva específica ou ideal. Desta forma, afirmam que o processo de conhecimento é o grande impulsionador para a inovação, porque engloba tanto ideias como ideais. Henderson e Clark (1990) classificam as inovações em dois tipos: Inovações radicais: quando é criado um novo design conceptual num determinado produto, isto é, quando existe efectivamente uma mudança no conhecimento enraizado nos componentes e quando à mudança de arquitectura entre as suas partes. Inovações incrementais: quando ocorre mudanças relativamente menores no projecto já existente, aproveitando o design anterior. Estes autores realçam a ideia de que as inovações radicais têm um maior impacto em termos positivos, do que as inovações incrementais. Pois acreditam que as primeiras conduzem a uma maior abertura para os novos mercados e novas aplicações para produtos.

 3-Mutações sociais e as tecnológicas 

 Tendo em conta a diversidade de interacções presentes na aprendizagem de qualquer indivíduo, os sistemas educativos tiveram a necessidade de aplicar regras comuns, sem nunca deixar de respeitar a individualidade de cada um. Os sistemas educativos pretendem apostar na criatividade, comunicação, trabalho em equipa tentando excluir situações de exclusão social. Para acompanhar o avanço das sociedades contemporâneas os sistemas educativos terão de ser flexíveis, adaptados às constantes mudanças tecnológicas, pró-activos no enriquecimento de saberes e no exercício activo da cidadania. O constante avanço tecnológico faz aumentar a necessidade de adaptação ao contexto e formação dos indivíduos, desta forma, também os sistemas educativos tem de se actualizar, adaptar e acompanhar este avanço, num ambiente de constante mudança. Como refere Ramos (2007), "de qualquer modo, a educação nunca se poderá constituir em motor de desenvolvimento equitativo, enquanto problemas como o empobrecimento continuarem a assolar muitos dos países menos desenvolvidos." Outro factor de mutação social, em muitos países, é a desigualdade que ainda existe entre homens e mulheres no que concerne à igualdade de oportunidades. Para colmatar estas desigualdades surgiu o conceito de educação básica, que visa que todos os indivíduos tenha acesso ao mesmo nível de estudos. Mas, “Esta é uma tarefa difícil, já que a formalidade de alguns sistemas educativos pode, de certa forma, limitar o desenvolvimento pessoal, pela imposição dum modelo educativo único que não tem em conta a diversidade individual." Ramos (2007) Relativamente ao factor de mutação social mencionado (desigualdade que ainda existe entre homens e mulheres no que concerne à igualdade de oportunidades), infelizmente ainda é o que se verifica mais. O mais grave do que esta diferença social ao nível de oportunidades de carreira, são os países cujas culturas ainda não aceitam que o género feminino estude, nem ao nível do ensino básico, com receio do desconhecido e de que as jovens se "afastem da comunidade", ou seja, o seu desenvolvimento é proibido de modo a garantir que elas mantenham os costumes, condenando assim as gerações posteriores. As sociedades apresentam maneiras diferentes de receber as novas tecnologias da informação e comunicação, e em contrapartida os sistemas educativos integram-nas de forma gradativa e sequencial. Face a esta problemática, o papel da Educação e dos sistemas educativos, devem ser orientados no sentido de apostar numa aprendizagem de saber e “saber fazer” (Delors, 1996) de forma reflexiva, criativa, dedutiva e relacional e de uma formação ao longo da vida, através de uma aposta na melhoria das capacidades e competências profissionais dos indivíduos. Para Ramos (2001, p.29) “não se trata de adaptar a educação ao mundo tal como é, mas de dar aos humanos a capacidade de responder aos problemas que o mundo lhe impõe e de se tornarem actores mais responsáveis das mudanças que devem animar e que não se podem determinar à priori.” Neste cenário, é imperativo que a comunidade escolar introduza no seu quotidiano as novas tecnologias. Para que tal aconteça não basta “a simples aquisição da tecnologia, na sua dimensão física, representada pela aquisição de equipamentos, novas instalações e até mesmo com a contratação de equipas especializadas para esta finalidade”. (Barbosa, Moura & Barbosa, 2004) Além disso, os sistemas educativos devem evoluir para “privilegiar mais a imaginação, a criatividade, a comunicação, o trabalho em equipa, entre outros aspetos” (Ramos, 2007). A escola deixa de ser apenas o local de obtenção de conhecimento, onde o professor debita a matéria para os alunos (aluno passivo); e passa a ser ponto de partida para o desenvolvimento do cidadão que, com as ferramentas adquiridas, é capaz de procurar o seu próprio conhecimento (aluno ativo), ou seja, o professor leva o aluno/formando a querer conhecer mais o contexto onde está inserido, a pesquisar informação que o auxilie na resolução dos seus problemas autonomamente e ao longo da vida. Segundo Delors (1998, p.18) “parece impor-se, cada vez mais, o conceito de educação ao longo da vida, dadas as vantagens que oferece em matéria de flexibilidade, diversidade e acessibilidade no tempo e no espaço”.

 4-Sociedade educativa e as TICs 

 No que respeita ao avanço tecnológico, como refere Delors (2005), "é necessário caminhar para uma “Sociedade Educativa”, capaz de dotar o individuo de uma educação básica de qualidade, com conhecimentos que lhe permitam modelar a sua vida e participar na evolução da sociedade." Contudo, ainda é muito difícil mudar culturas / mentalidades. Ainda hoje encontramos professores que possuem atitudes diversas face às tecnologias de informação e comunicação (TIC). Alguns recusam-se a entrar nesta nova etapa, já outros utilizam-nas diariamente, independentemente do seu nível de conhecimento. No caso das TICs, este processo envolve claramente duas facetas inconfundíveis: a tecnológica e a pedagógica. Os desafios que estas tecnologias trazem ao professor são vários, mas temos de considerar o papel que elas estão a ter na sociedade, bem como os processos de transformação que estão a acontecer nas escolas em geral, sendo que hoje em dia é quase impensável dar uma aula sem recorrer a essas tecnologias.

 5-Tendências evolutivas das sociedades contemporâneas e ao modo como interpelam a Educação e os sistemas Educativos. 

 É inequívoco que a sociedade contemporânea tem os seus alicerces na interactividade entre os indivíduos e as novas tecnologias de informação e comunicação, são facilitadores desse pulsar de partilha., é nessa dinâmica social que estão as bases da socialização moderna. Em suma o acesso e difusão da comunicação pelo computador, amplia e estimula o conhecimento nas áreas sociais, económicas, culturais e politicas. Segundo Ramos (2007), as principais tendências evolutivas das sociedades contemporâneas são o crescimento da liberdade de escolha dos indivíduos, o domínio da ciência e a complexidade dos conhecimentos humanos e a incerteza, a irracionalidade, o paradoxo da sociedade atual. A ideia, de certa forma pré-concebida, que era através da educação que podíamos criar um mundo mais informado, mais evoluído, mais justo e mais rico, deixou de certa forma de fazer sentido, na medida em que a sociedade mudou não fruto de um maior e melhor investimento na educação de todos os povos, mas no rápido surgimento de vários fenómenos decorrentes em grande parte, das tecnologias de informação e da comunicação, a uma escala planetária que teve inevitavelmente consequências políticas, económicas, sociais e culturais em todas as sociedades, com repercussões diversas. Na segunda metade do séc. XX se deu o grande desenvolvimento económico nos países mais desenvolvidos e que veio criar desequilíbrios nas sociedades. O fim das fronteiras, a unificação das culturas, a inteligência colectiva e na economia das ideias veio mudar a visão do mundo na perspectiva de Lévy (2001). Houve uma emergência de preparar e modificar mentalidades capazes de processar toda a informação e de capacitar o individuo com competências intelectuais e cognitivas. Os sistemas educativos tiveram que se moldar e adaptar face a estes novos desafios. A formação das pessoas foi um pilar importante nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, no entanto ainda é uma pequena parcela onde os países menos desenvolvidos não têm acesso a essa educação. As próprias mulheres só muito tardiamente acederam à educação e à participação activa na sociedade, que veio atrasar e trazer lapsos/lacunas no desenvolvimento colectivo. Na necessidade emergente de dotar a humanidade com ferramentas para o seu desenvolvimento surgiu o "conceito de educação básica para todos". Foi com a educação básica que se implementou as modificações e que permitiram dotar as pessoas de instrumentos intelectuais para o desenvolvimento da sociedade. O trabalho do relatório para a ÛNESCO (Delors 1996) refere quatro aprendizagens fundamentais para o séc. XXI. Os quatro "pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as actividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes" (Delors, 1996). É com o futuro no horizonte que se espera um sistema educativo mais flexível, com capacidades de se adaptar às mudanças do individuo, da sociedade e do mundo. O caso Português/ moçambicano ainda está longe dos resultados esperados. " O problema não parece residir na falta de recursos financeiros, mas sim ao nível da organização, onde problemas como a falta de estabilidade dos programas e dos corpos docentes, a escassa participação das famílias, entre outros, actuam como factores bloqueadores do sistema. Neste momento parece existir uma fractura entre a sociedade e o sistema educativo, devida em grande parte aos fracassos evidentes dos sucessivos ensaios de novas soluções e ao cansaço e descrédito público daí resultante." (RAMOS, 2007). A sociedade ainda vai ter que se reinventar, e é com a participação de todos e com o contributo de todos os agentes educativos que se poderá atingir os padrões desejáveis em prol de uma sociedade activa nesta "aldeia global". É pois imperativo que os sistemas educativos estejam em constante desenvolvimento, quer por acesso às novas tecnologias, quer pelo uso de novos métodos pedagógicos e até pela consciencialização das comunidades, acerca da importância de um ensino de qualidade, não apenas para evolução de um único indivíduo, mas para o crescimento da sociedade atual e das gerações seguintes.

 Referências Bibliográficas

 DELORS, J. (Coord.) (2005). Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (9.ª Edição). Porto: Edições Asa.

DELORS, J. (Chairman) (1996). Learning: The Treasure Within. Report to UNESCO of the International Commission on Education for the Twenty-first Century.PP.56.

CALLE, D. A., G.; DA SILVA, E. (2008). "Inovação no contexto da sociedade do conhecimento", in Revista TEXTOS de la CiberSociedad, Nº 8 - Temática Variada (Características da sociedade do conhecimento).

 LÉVY, P. A conexão planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência.http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/viewFile/6679/6026Acesso em: 27 outubro de 2014.

RAMOS, C. (2001). "Tendências evolutivas das sociedades contemporâneas", in Os processos de autonomia e descentralização à luz das teorias de regulação social: o caso das políticas públicas de Educação em Portugal (Tese de Doutoramento). Monte de Caparica: FCT/UNL.

RAMOS, C. (2007). Aspetos contextuais dos Sistemas Educativos. Lisboa: Universidade Aberta.

RAMOS, C. (2007). Sobre o conceito de “Sistema”. Lisboa: Universidade Aberta.

 SOETE, Luc. (2000). “A economia baseada no conhecimento num mundo globalizado”. In Maria João Rodrigues (org.). Para uma Europa da Inovação e do conhecimento – Emprego, Reformas Económicas e Coesão Social. Oeiras: Celta, p. 3-31.